Com certeza todos lembram da história da asutríaca Natascha Kampusch. Em 1998, aos 10 anos, Natascha foi sozinha para a escola pela primeira vez. No caminho, foi sequestrada e só conseguiu fugir em 2006, aos 18 anos. Esses 8 anos são contados em 3096 Dias, o tempo que Kampusch passou mantida refém por Wolfgang Priklopil, um engenheiro de telecomunicações. Priklopil tinha modificado o porão de sua casa, criando uma espécie de caixa-forte, de onde era impossível Natascha ver ou ouvir o exterior, tentar se comunicar e muito menos fugir. Ela descreve o caminho que se tinha de fazer para chegar ao porão e impressiona os vários obstáculos que criavam um nível de dificuldade imenso para acessar a câmara onde ela ficava presa, atrás de uma enorme porta de concreto armado de 150kg.
O livro não é uma grande obra literária. Não tem nenhum refinamento de forma nem de estilo. É o relato cru de uma menina que passou por horrores inimagináveis. Natascha não tenta ganhar a simpatia de quem lê, não tenta se passar por vítima frágil e indefesa. Ela simplesmente conta sua história, por vezes de forma espantosamente distante, como se não tivesse acontecido com ela. Apesar da fome, dos espancamentos, de ter a cabeça raspada e todas as outras torturas, Natascha admite que passou sim bons momentos com seu raptor, mas recusa-se a ser considerada vítima da Síndrome de Estocolmo. Conta que Priklopil a presenteava com livros, videogames e até a levou uma vez para esquiar. A única coisa que ela não revela é se foi violentada pelo sequestrador.
Em 23 de agosto de 2006, dia em que "Bibiana" (identidade adotada por Natascha no cativeiro) conseguiu escapar, Wolfgang Priklopil cometeu suícido jogando-se na frente de um trem.
O que me impressionou muito nesse livro foi a grande coragem que Kampusch teve de expor todos os detalhes das atrocidades que passou, meio que "dando a cara a tapa". Além de todo o sofrimento do sequestro, Natascha ainda precisou enfrentar o ceticismo de pessoas que não acreditaram em sua história, das que dizem que ela se aproveitou da atenção que recebeu e de outras que a acusam de não contar toda sua história. Conta como foi a fuga e o que se seguiu a ela: como foi tratada pela polícia, como foi recebida pela família,como foi a divulgação do caso e como a história se desenrolou a partir daí. Logo ela percebeu que tinha saído de uma prisão para outra. Para algumas pessoas, como o passar do tempo, simpatia e empatia deram lugar a desconfiança e ódio.
Por isso, Natascha diz constantemente em entrevistas que não tem que ficar se explicando ou se justificando e que não é obrigada a responder à todas as especulações acerca desses 8 anos.
Para quem tiver a curiosidade, procure fotos do cativeiro na internet para ter uma noção de como Natascha viveu nesse tempo. Percebe-se como, com o tempo, o porão pequeno e mal ventilado acaba parecendo, na medida do possível, com um quarto de uma menina normal, que era tudo que Natascha queria ser.
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| 5 estrelas |


Tenso!
ResponderExcluirIsso me lembra Quarto, que comprei mas ainda nao li...