Esse não é um romance, como vocês provavelmente já sabem. Aliás, acho que todo mundo, se não leu, já ouviu falar desse livro (no Brasil, obviamente). Parece que só eu que demorei anos para ler!
O livro foi lançado em 2007, acredito eu que de carona com o bicentenário da chegada da família real ao Brasil, e obviamente, trata exatamente disso.
O autor, o jornalista Laurentino Gomes, faz uma apanhado de informações de várias fontes da época, tentando não se prender aos mitos que se formaram em torno dos personagens históricos e desta forma apresentar algo mais próximo de pessoas de verdade do que de personagens caricatos que acabamos por conhecer.
Eu particularmente gostei bastante. Ao mesmo tempo que você está lendo um livro de história, com muitas datas, números, nomes e informações o tempo todo (inclusive, algo que achei muito interessante, a tentativa de converter os valores financeiros da época para valores atuais, ajudando a dar uma noção melhor de como se vivia), não parece um livro de história. Quer dizer, não daqueles didáticos que a gente tinha que ler na escola. Tentei me desfazer das concepções e ideias que eu tinha desse período e das pessoas envolvidas e enxergar tudo de uma forma neutra. E, como eu sempre acabo fazendo, não consegui evitar: passei horas tentando imaginar como seria o centro do Rio na época, as roupas, as decorações e a maneira de falar da pessoas. O que é diferente dos dias de hoje, o que continua a mesma coisa. As ruas, vielas, prédios pelos quais gente passa todos os dias e que os membros da família real também passaram. É bom se sentir tão próximo de um período tão marcante e significativo da história do nosso país.
Ouvi pessoas e li resenhas que falavam pessimamente do livro, do autor, da forma como a história se apresenta. Em sua maioria, eram historiadores. Eu, como uma pessoa que gosta muito de história mas que é completamente leiga, me senti muito à vontade com a leitura e com a forma leve mas que mantém a seriedade ao apresentar alguns aspectos e alguns detalhes da nossa história, inclusive curiosidades pouco conhecidas da grande maioria dos brasileiros, eu inclusive. Entendo que para pessoas que têm a história como maior paixão e base da sobrevivência, pessoas que respiram história e que conhecem muito os detalhes, o livro deixe a desejar ou a apresentação dos fatos pareça falha. A mim não incomoda, afinal, é um livro que não tem a pretensão de ser didático, apenas ser gostoso de ler, interessante e cativante. E é. Pessoalmente, a leitura de 1808 foi uma experiência muito agradável. Tanto que pretendo em breve ler 1822, do mesmo autor.
Acho que não cabe aqui resumir a história do livro, já que todos nós conhecemos e sabemos bem como termina, o que eu posso fazer é dar a minha opinião e ela é positiva!
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| 4 estrelas |


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