Sou meio suspeita para falar de qualquer livro de Mario Vargas Llosa. Meio não. Muito. Não posso dizer que tenho um autor preferido especificamente, mas tenho alguns autores preferidos e Vargas Llosa é definitivamente um deles. Para mim, qualquer livro dele é automaticamente muito bom e Pantaleão e as Visitadoras não é diferente.
O Pantaleão do título é o capitão Pantaleão Pantoja. Pantoja, ou Panta, como o chamam a mãe e a esposa, é membro do exército peruano apaixonado pelas forças armadas. Graças à sua disciplina e extrema dedicação, o capitão foi encarregado de desenvolver e gerir um projeto especial e confidencial: o serviço de visitadoras.
A soma do calor e umidade da selva com a falta de mulheres levou os soldados a cometerem uma série de estupros, atacando índias, mulheres de pescadores e moradoras de cidades próximas. Para resolver esse problema o exército idealizou o serviço de visitadoras, levando prostitutas até os soldados para aplacar seus ânimos.
Para manter o maior grau de confidencialidade possível, Pantoja deve se vestir como civil, não deixar ninguém desconfiar que seja membro do exército e esconder sua missão até mesmo da mãe e da esposa.
Enquanto o serviço de visitadoras prospera graças ao capitão (ganhando até mesmo o apelido de Pantolândia por parte da população horrorizada), uma seita religiosa ganha cada vez mais força, realizando sacrifícios animais e humanos, criando mártires e ocupando a polícia e o exército.
Como eu já disse no começo, eu sou bem suspeita para falar do autor. Para mim, não é fácil dizer o que é mais incrível no livro. Grande parte dele é contada através de memorandos, relatórios e cartas entre os oficiais peruanos. A história tem acontecimentos tão escrachados e caricatos que, de tão estranhos, acabam sendo completamente críveis. Além disso, Mario Vargas Llosa tem um jeito único e fantástico de escrever: em um mesmo parágrafo cenas são contadas ao mesmo tempo, histórias e personagens se cruzam e se misturam, pensamentos e falas são escritos juntos, a ligação espaço-tempo é quebrada a todo instante. A princípio, a leitura parece confusa e se demora um tempo para entender, mas uma vez que cai a ficha e a gente percebe como funciona a escrita de Vargas Llosa, tudo fica maravilhoso.
Vale lembrar que Mario Vargas Llosa ganhou o Nobel de Literatura em 2010 (antes tarde do que nunca), mais um motivo para as pessoas que precisavam de algum estímulo para ler alguma obra dele.
Definitivamente, Mario Vargas Llosa e seu Pantaleão e as Visitadoras merecem 5 estrelas!
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| 5 estrelas |


Olá!
ResponderExcluirCheguei ao seu blog por causa do Skoob e adorei dar de cara com um livro do Mario Vargas Llosa. Esse foi o 1o dele que li e adorei. O jeito que ele escreve causa estranhamento inicial mesmo, mas depois o difícil é conseguir parar de ler. "Travessuras da menina má" foi o que selou minha paixão pelo escritor. Que venham outros livros!
Bjo e até+!