terça-feira, 1 de novembro de 2011

Pantaleão e as Visitadoras - Mario Vargas Llosa


Sou meio suspeita para falar de qualquer livro de Mario Vargas Llosa. Meio não. Muito. Não posso dizer que tenho um autor preferido especificamente, mas tenho alguns autores preferidos e Vargas Llosa é definitivamente um deles. Para mim, qualquer livro dele é automaticamente muito bom e Pantaleão e as Visitadoras não é diferente.
O Pantaleão do título é o capitão Pantaleão Pantoja. Pantoja, ou Panta, como o chamam a mãe e a esposa, é membro do exército peruano apaixonado pelas forças armadas. Graças à sua disciplina e extrema dedicação, o capitão foi encarregado de desenvolver e gerir um projeto especial e confidencial: o serviço de visitadoras.
A soma do calor e umidade da selva com a falta de mulheres levou os soldados a cometerem uma série de estupros, atacando índias, mulheres de pescadores e moradoras de cidades próximas. Para resolver esse problema o exército idealizou o serviço de visitadoras, levando prostitutas até os soldados para aplacar seus ânimos.
Para manter o maior grau de confidencialidade possível, Pantoja deve se vestir como civil, não deixar ninguém desconfiar que seja membro do exército e esconder sua missão até mesmo da mãe e da esposa.
Enquanto o serviço de visitadoras prospera graças ao capitão (ganhando até mesmo o apelido de Pantolândia por parte da população horrorizada), uma seita religiosa ganha cada vez mais força, realizando sacrifícios animais e humanos, criando mártires e ocupando a polícia e o exército.
Como eu já disse no começo, eu sou bem suspeita para falar do autor. Para mim, não é fácil dizer o que é mais incrível no livro. Grande parte dele é contada através de memorandos, relatórios e cartas entre os oficiais peruanos. A história tem acontecimentos tão escrachados e caricatos que, de tão estranhos, acabam sendo completamente críveis. Além disso, Mario Vargas Llosa tem um jeito único e fantástico de escrever: em um mesmo parágrafo cenas são contadas ao mesmo tempo, histórias e personagens se cruzam e se misturam, pensamentos e falas são escritos juntos, a ligação espaço-tempo é quebrada a todo instante. A princípio, a leitura parece confusa e se demora um tempo para entender, mas uma vez que cai a ficha e a gente percebe como funciona a escrita de Vargas Llosa, tudo fica maravilhoso.
Vale lembrar que Mario Vargas Llosa ganhou o Nobel de Literatura em 2010 (antes tarde do que nunca), mais um motivo para as pessoas que precisavam de algum estímulo para ler alguma obra dele.
Definitivamente, Mario Vargas Llosa e seu Pantaleão e as Visitadoras merecem 5 estrelas!
5 estrelas

Um comentário:

  1. Olá!
    Cheguei ao seu blog por causa do Skoob e adorei dar de cara com um livro do Mario Vargas Llosa. Esse foi o 1o dele que li e adorei. O jeito que ele escreve causa estranhamento inicial mesmo, mas depois o difícil é conseguir parar de ler. "Travessuras da menina má" foi o que selou minha paixão pelo escritor. Que venham outros livros!
    Bjo e até+!

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