A proposta de Stacy Schiff foi desmitificar a última faraó do Egito. Praticamente tudo que sabemos sobre Cleópatra vem das versões contadas pelos romanos, que muito provavelmente não são versões tão próximas da realidade como gostaríamos de acreditar. Os primeiros relatos sobre Cleópatra foram escritos pelos seguidores de Otaviano (depois chamado Cesar Augusto), seu maior inimigo e causador do fim de seu reinado e, conseqüentemente, de sua dinastia. É se de supor que não sejam os mais lisonjeiros, e os que vieram a seguir basearam-se nesses escritos.
Apesar disso, Schiff cercou-se das mais diversas fontes e conseguiu montar um quadro diferente. O que o livro mostra é uma Cleópatra extremamente inteligente, poliglota, carismática e muito assertiva. Ultrapassar o mito e compreender a pessoa foi difícil, mas a autora conseguiu uma visão quase livre das lendas que até hoje cercam Cleópatra e que a fizeram virar sinônimo de mulher sedutora e sem escrúpulos, que usa sua sexualidade para conseguir o que quer.
Essas histórias - que vão desde seus casos com Julio Cesar e Marco Antonio até seu suicídio - encobrem a real importância e o real significado da rainha. Elas nos fazem esquecer que em seus 22 anos de reinado Cleópatra reergueu a economia falida do Egito, governou a costa oriental do Mediterrâneo, custeou e forneceu alimentos e navios para batalhas romanas, além de estimular a produção intelectual em Alexandria.
O livro mostra uma mulher complexa, muito além da Cleópatra de Shakespeare e de Elizabeth Taylor. Por mais cativantes e geniais que estas versões sejam, a original é ainda mais incrível. Cleópatra, apesar de sua ascendência grega, já nasceu deusa e, antes mesmo de morrer, já era mito.
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| 4 estrelas |

